Cristofobia: existe ou não perseguição aos cristãos no Brasil?

Cristofobia: existe ou não perseguição aos cristãos no Brasil?
Reprodução: Google

O termo “cristofobia” entrou recentemente no debate público como um conceito que se refere à perseguição aos cristãos. A palavra se tornou popular, após o presidente brasileiro Jair Bolsonaro fazer um apelo durante discurso para a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) pelo combate à intolerância religiosa.

Na ocasião do discurso, Bolsonaro falou da cristofobia se referindo ao mundo, onde a perseguição aos cristãos não é novidade. Organizações internacionais que há décadas atuam em prol da liberdade religiosa, como a Portas Abertas e a Barnabás Fund, comprovam isso anualmente com inúmeros dados de casos reais em diferentes países.

Por outro lado, foi levantado o questionamento se existe cristofobia no Brasil, ou não, e foi pensando nisso que resolvemos fazer esta publicação, a fim de explicar os diferentes tipos de perseguição religiosa existentes no mundo, mas de forma pontual. Vejamos:

Cristofobia explícita e motivada

A perseguição religiosa explícita e motivada é caracterizada pela existência de elemento religioso nos atos de agressão, intimidação ou cerceamento da liberdade de culto, expressão e consciência. A razão se dá em face do motivo religioso.

Exemplo disso é a perseguição promovida por extremistas islâmicos. Os radicais acreditam que possuem a missão de expandir suas crenças no mundo, e para isso a jihad (“guerra santa”) é necessária, visto que nem todos querem se submeter.

Neste caso, não apenas cristãos, mas qualquer pessoa que se oponha aos ideais extremistas de grupos como o Estado Islâmico, Boko Haram e Al-Shabaab se torna alvo dos ataques.

O mesmo acontece em determinadas regiões rurais da Índia, onde cristãos são vítimas de cristofobia por parte de radicais hindus que pregam a “pureza” do país, e por isso enxergam o cristianismo como uma religião “invasora”. Até os muçulmanos são alvos dos ataques.

A motivação desse tipo de intolerância, portanto, é essencialmente religiosa e explícita, porque eles deixam claro que o motivo dos ataques é por causa das crenças.

A cristofobia implícita

Diferente do que muitos imaginam, a perseguição aos cristãos nem sempre ocorre de forma explícita e religiosamente motivada, como no primeiro exemplo acima. A cristofobia também pode ser implícita e ideológica.

A cristofobia implícita não aparece de forma declaradamente anticristã. A pessoa que pratica pode até se considerar “cristã” em algum aspecto, como na crença na pessoa de Jesus Cristo como figura histórica, seus valores e ensinamentos universalmente aceitos, com o amor ao próximo e o perdão.

Entretanto, ainda assim, essa mesma pessoa pode se apresentar contrária, por exemplo, à liberdade de culto em áreas públicas como praças e parques, defender a criminalização da opinião por discordância doutrinária ou até mesmo o fechamento de igrejas por considerá-las “dispensáveis”.

A cristofobia também pode estar implicitamente na produção de conteúdos que atacam os valores cristãos, como a concepção de família, matrimonio, educação dos filhos e o direito a liberdade de expressão do pensamento de forma ampla.

O escárnio de líderes religiosos, deboche de vestimenta, linguajar e forma de se expressar tipicamente associadas ao estilo cristão mais conservador ou pentecostal, por exemplo, também são formas implícitas – não diretas – de intolerância religiosa.

Cristofobia ideológica

Diferentemente do primeiro e segundo exemplos, a cristofobia ideológica ocorre através do ativismo político-ideológico e também acadêmico. São pessoas que buscam justificar através das suas ideias conceitos que tem por finalidade extinguir o cristianismo ou o que ele representa na sociedade.

Pessoas que demonstram esse tipo de intolerância geralmente defendem que cristãos só devem ter voz dentro dos templos; tratam com discriminação cristãos na ciência, na universidade e não toleram a representatividade cristã na vida pública.

Ideologicamente, portanto, é o tipo de perseguição que visa eliminar ou amordaçar toda forma de expressão relacionada ao cristianismo histórico, fazendo uso das mais diversas ferramentas para isso.

Perseguição no Brasil

Finalmente, como já deu para notar na explicação acima, o tipo de perseguição religiosa aos cristãos que existe no Brasil é a implícita e ideológica.

Não somos vítimas de violência física, nem de ataques explícitos pelo simples fato da fé em Jesus Cristo, mas sofremos discriminação através da tentativa de depreciar os nossos valores e representatividade pública.

Quando um símbolo cristão é desrespeitado publicamente, por exemplo em um programa de TV, desfile de carnaval ou palestra, isso é uma forma implícita de cristofobia.

O mesmo vale para quando um professor ou aluno cristão é estigmatizado na escola e universidade por declarar a sua fé, ou quando um pastor é chamado de “ladrão” injustamente.

Por fim, é importante lembrar que a perseguição religiosa não afeta apenas os cristãos. A cristofobia, sim, mas a intolerância em função da crença também vitimiza pessoas, por exemplo, de religião africana.

Em todo caso, a liberdade religiosa e o respeito ao direito de culto é o que deve prevalecer, independentemente da religião. Obviamente, pelo fato dos cristãos serem maioria, os casos são muito maiores, mas também porque o cristianismo é, de fato, a religião mais influente do mundo.